Votorantim Cimentos adia oferta de CRI
26 de novembro de 2019 0

Valor

A Votorantim Cimentos adiou, pela segunda vez, a sua oferta de R$ 700 milhões em certificados de recebíveis imobiliários (CRI). A operação deveria ter sido precificada ontem. E a nova data é, agora, 3 de dezembro.

O adiamento se deve à alteração no regime de colocação dos CRIs. Inicialmente, os coordenadores da oferta, XP, Votorantim, Banco do Brasil e Bradesco BBI, davam garantia firme para a totalidade da operação.

Agora, essa garantia foi reduzida e passou a ser firme para R$ 500 milhões. Os R$ 200 milhões restantes sairão pelo regime de “melhores esforços de colocação” – ou seja, em função da demanda do mercado.

Por conta da alteração, a operação poderá ser concluída mesmo em caso de distribuição parcial, ou seja, do mínimo de R$ 500 milhões agora firmemente garantidos. Os quatro coordenadores dividem a concessão da garantia firme de forma igualitária, cada um, agora, responderá por R$ 125 milhões, se necessário. No primeiro adiamento da oferta, a empresa informou que havia feito uma atualização de documentos. Procurados, os bancos coordenadores do CRI não deram entrevista – a oferta é pública e obedece à Instrução CVM 400.

De acordo com informações de mercado, o adiamento está relacionado a uma expectativa de melhora do mercado de renda fixa em dezembro, por conta de algumas operações de certificados de recebíveis do agronegócio (CRA) e CRIs que estão vencendo.

Um dos nomes que circulavam ontem era um CRA do Grupo Pão de Açúcar, de R$ 750 milhões. Esse vencimento daria liquidez a clientes do private dos bancos que querem manter o percentual de alocação em renda fixa. E a expectativa seria que parte desses clientes poderia destinar os recursos para papéis de empresas com avaliações de crédito similares, caso da Votorantim Cimentos.

O momento atual de mercado é bastante desfavorável para a renda fixa, uma vez que, com a queda dos juros, o investidor está migrando para modalidades que oferecem mais retorno, como as ações e os fundos imobiliários.

Há papéis negociando no secundário com rendimento maior do que este, em função de um movimento de resgate de fundos de crédito privado com liquidez imediata. Por conta disso, os coordenadores estão alegando alteração relevante nas condições de mercado para revisar as garantias.

Os CRIs da Votorantim Cimentos estão sendo ofertados em duas séries. Uma delas, com prazo de oito anos, está remunerada a CDI +0,20%. A outra tem prazo de dez anos e paga IPCA + 3,80%. As duas remunerações estão “magras” pensando no patamar atual do mercado. A Eleven Financial recomendou a compra apenas dos papéis IPCA. Nas contas dos analistas, a série em CDI faria sentido apenas com um spread de +0,40%. A empresa busca recursos para o pagamento de custos e despesas de compra, construção e reforma de imóveis e unidades de negócio.

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